Em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Crespo, de oito anos de idade,
desapareceu para nunca mais ser vista com vida. Seis dias depois, o corpo de
Araceli foi localizado num terreno baldio, próximo ao centro da cidade de
Vitória, Espírito Santo. A menina foi espancada, estuprada, drogada e morta.
Seu corpo foi desfigurado com ácido. À época do crime, os policiais ouviram
diversas versões sobre o ocorrido e após o julgamento e a absolvição dos
suspeitos, o processo do Caso Araceli foi arquivado pela Justiça.
De forma a conscientizar as pessoas sobre a gravidade do problema, foi
criado o Dia nacional de combate ao abuso e à exploração sexual infantil, 18 de
maio.
O ECA de 1990 o ECA é o maior e mais importante marco jurídico destinado
à proteção dos direitos de crianças e adolescentes no País. E dispõe sobre quem
é essa criança e adolescentes e seus direitos:
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até
doze anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre doze e dezoito anos
de idade.
Segundo, Boletim Epidemiológico
Notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, 2015
a 2021, vol. 4 (Ministério da Saúde, 2023). A Violência sexual, é um crime com
autor conhecido. 68% dos casos de violência sexual contra crianças de 0 a 9
anos no Brasil são cometidos por familiares e conhecidos das vítimas. Entre as
vítimas de 10 a 19 anos, o crime é cometido por pessoas próximas em 58,4% dos
casos. Por isso, o diálogo, a atenção e os cuidados precisam ser redobrados no
período de férias.
O "Maio
Laranja" é uma campanha de conscientização sobre o combate e ao abuso e a
exploração sexual de crianças e adolescentes que acontece durante o mês de
maio. Essa campanha tem como objetivo chamar a atenção para a prevenção,
identificação e combate ao abuso e exploração sexual destes que segundo nossa
Carta Magna em seu Art. 227, são prioridade absoluta, além de promover a
proteção e o bem-estar deles.
É importante destacar
que o Maio Laranja visa não apenas aumentar a conscientização sobre o problema,
mas também incentivar ações concretas para prevenir e proteger as crianças e
adolescentes contra essas formas de violência.
Para 2024, o foco será debater sobre
os entraves e os desafios que envolvem a linha da Atenção/Atendimento Integral
às crianças, adolescentes e suas famílias.
O objetivo é nos debruçarmos mais
sobre as múltiplas necessidades para revisitar as políticas voltadas para o
Atendimento em nosso país, além de destacar a data para mobilizar,
sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da defesa dos
direitos de crianças e adolescentes. É o momento de revisitarmos as práticas e
compreensões sobre o atendimento às vítimas e testemunhas de violência sexual e
quais são os passos após a realização de uma denúncia.
Nesse sentido: Temos uma rede
preparada para recepcionar os casos? Compreendemos a legislação vigente? O orçamento
público é suficiente para a efetivação das políticas públicas em nossos
múltiplos Brasis? É necessário e urgente garantir a todas às crianças e às e
aos adolescentes o direito ao seu desenvolvimento de forma segura, protegida e
livre do abuso e da exploração sexual. Essas e outras perguntas precisam ser
respondidas, pelas comunidades nas quais vivem crianças e adolescentes, entre
elas; casa, igreja e escola.
Nossa esperança é trazer a memória o que Malaquias nos revela: "converter o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais". Assim sendo, a maldição não se abaterá sobre nós.
Por Flavyandressa Lobato
Sá
Conselheira de direitos de crianças e adolescentes do Município de São Luís e do Estado do Maranhão.


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