Um trecho da canção
inspirada no livro Jubiabá de Jorge Amado, Lanterna dos afogados e sua
versão por trás é propicio para esse momento; ela diz o seguinte: "Uma noite longa pra uma vida curta.
Mas já não me importa basta poder te ajudar". A noite continua sendo longa para as mulheres
que têm em seu papel a doce missão de ser mãe de uma criança com transtorno do espectro
autista (TEA). Assim como, àquelas mulheres que seguravam suas lanternas para
que seus homens chegassem seguros ao Cais do Porto na Bahia, essas mães são a própria
lanterna mostrando o caminho a seus filhos.
Eu
tive que me recompor diversas vezes para colocar as ideias no lugar e escrever
sobre a rotina das mães de crianças neuro atípicas. Conversei com muitas e selecionar
as histórias para uma série de escritas não foi nada fácil, não podemos reduzir
essas vidas a um mês, tem autismo o ano inteiro. Era parte da minha rotina até que se tornou
parte da minha vida quando há um ano soubemos que nosso caçulinha Elias com 3
anos, meu sobrinho mais novo é autista.
As
conversas diárias com minha cunhada guerreira que deixou tudo para cuidar dele,
meu irmão que passou a ser o único mantenedor financeiro da casa e nem sempre
está geograficamente perto, embora esteja sempre presente, minha sobrinha
diferenciada que de perto acompanha tudo e não solta a mão dele para nada, minha
mãe que ora todos os dias a Deus em seu favor, que comprou o biscoito favorito
dele(Aruba) e deixou em casa para quando ele chegar estar lá e cada vez que sabe
de uma evolução se emociona, os primos que o ninam para dormir, as primas que
dançam e deitam no chão com ele, os tios que o carregam sempre que o veem e eu.
Dia
02 de abril é trazido a consciência mundial como uma data de informação, lutas,
redução de discriminação e preconceito, e conquistas. E eu me pergunto se nos
outros 364 dias do ano essas crianças e suas famílias que carregam o peso da solidão,
do abandono, do choro, do descaso, do julgamento, da falta de terapia, de
tratamento, de descanso, da invisibilidade cruel, de alguém para oferecer um
tempinho do seu dia para dividir as cargas, para que essa mãe e esse pai
descansem, se realmente já despertamos para essa consciência.
As
Escrituras Sagradas no Livro dos Começos no capítulo 21 conta um episódio muito
interessante sobre Agar e Ismael, e todas as vezes que eu o leio, trago a minha
consciência a afirmação de Moisés sobre o que aconteceu quando uma mãe já cansada,
senta, chora e desiste de tudo, inclusive da vida de seu filho, e em meio a tudo
isso, o autor diz; OUVIU DEUS A VOZ DO MENINO. Deus continua ouvindo às vozes
das mães e dos filhos e se inclina para salvar, livrar e prover todas as coisas.
À
minha cunhada corajosa e exemplar Juliana Sá, ao meu irmão caçula Cristoferson
Sá que desconheço alguém mais íntegro e anfitrião, a minha sobrinha Mirca Sá
que se parece com Cristo.
E
para o meu precioso Elias Gabriel de Assunção Sá ou somente Lias, rapazinho que
ama azul, deixa sua marca G em todas as paredes e pinturas, vive cantarolando, ama
massinha, carinhoso, nunca fica desarrumado, está sempre cheiroso e mudou toda
a nossa vida.
Flavyandressa Lobato Sá
Tia do Lias
@flavynhasa
DELe por Ele e para Ele são todas as coisas.
Na próxima semana conheceremos a história do Henrique e sua excepcional mãe Silvana e a triste e estarrecedora estatística de mais 78% dos pais que abandonam suas esposas e filhos antes de completarem 5 anos quando recebem o diagnóstico do TEA e outros transtornos.
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