E.B.D: o bem cultural de natureza imaterial manifesto no social, em saberes, ofícios e modo de vida.
Quem me conhece sabe o quanto eu amo o ensino, e a EBD é sem dúvidas meu lugar no mundo.
Esse mês de setembro, especificamente no terceiro domingo do mês na IPB- Igreja Presbiteriana do Brasil, celebramos esta que é parte do nosso ajuntamento aos domingos, lugar de conhecer mais sobre nosso Deus e nossa fé, a inspiração do texto é simplesmente por ser professora de EBD e meu amor por esse momento, fruto de outros escritos e leituras sobre o assunto. Enjoy!
As origens da Escola Dominical
remontam aos tempos bíblicos quando o Senhor ordenou ao seu povo Israel que
ensinasse a Lei de geração a geração. Dessa forma a história do ensino bíblico
descortina-se a partir dos dias de Moisés, passando pelos tempos dos reis, dos
sacerdotes e dos profetas, de Esdras, do ministério terreno do Senhor Jesus e
da Primitiva Igreja. Não fossem esses inícios tão longínquos, não teríamos hoje
a Escola Dominical.
Porém, antes de sumariarmos a história
da Escola Dominical em sua fase moderna, faz-se mister evocar os grandes vultos
do Cristianismo que muito contribuíram para o ensino e divulgação da Palavra de
Deus.
Como esquecer os chamados pais da
Igreja e lhes seguiram o exemplo? Lembremo-nos de Orígenes, Clemente de
Alexandria, Justino o Mártir, Gregório Nazianzeno, Agostinho e outros doutores
igualmente ilustres. Todos eles magnos discipuladores. E o que dizer do Dr.
Lutero? O grande reformador do século XVI, apesar de seus grandes e inadiáveis
compromissos, ainda encontrava tempo para ensinar as crianças. Haja vista o
catecismo que lhes escreveu.
Foram esses piedosos de Cristo abrindo
caminho até que a Escola Dominical adquirisse os atuais contornos.
O início da EBD, como a conhecemos
hoje, deu-se em 20 de julho de 1780 na cidade de Gloucester. Era uma cidade
importante da Inglaterra no período pós Revolução Industrial, notável por sua
indústria de tecelagem. Atraía muita gente que, deixando a vida no campo,
seguia para as cidades buscando melhores condições de vida. Entretanto, na
cidade de Gloucester, a imensa riqueza de uma minoria contrastava com a grande
pobreza e o analfabetismo da maioria da população. O fato de existirem muitas
igrejas não impedia o avanço da criminalidade. Robert Raikes, fundador da
Escola Dominical, dedicou-se à carreira de jornalista e editor, trabalhando na
Imprensa Raikes, de propriedade da família, a qual ele passou a dirigir após a
morte de seu pai.
Robert tinha 44 anos quando saiu pelas
ruas a convidar os pequenos transgressores a que se reunissem todos os domingos
para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso,
ministrava-lhes Raikes várias matérias seculares: matemática, história e a
língua materna – o inglês.
Não tardou, e a escola de Raikes já
era bem popular. Entretanto, a oposição não tardou a chegar. Muitos eram os que
o acusavam de estar quebrantando domingo. Onde já se viu comprometer o dia do
Senhor com esses moleques? Será que o Sr. Raikes não sabe que o domingo existe
para ser consagrado a Deus?
Robert Raikes sabia-o muito bem. Ele
também sabia que Deus é adorado através de nosso trabalho amoroso
incondicional.
Embora haja começado a trabalhar em
1780, foi somente em 1783, após três anos de oração, observações e
experimentos, que Robert Raikes resolveu divulgar os resultados de sua obra
pioneira.
No dia três de novembro de 1783,
Raikes publica, em seu jornal, o que Deus operara e continuava a operar na vida
daqueles meninos Gloucester. Eis porque a data foi escolhida como o dia da
fundação da Escola Dominical.
Mal sabia Raikes que estava lançando
os fundamentos de uma obra espiritual que atravessaria os séculos e abarcaria o
globo, chegando até nós, a ponto de ter hoje dezenas de milhões de alunos e
professores, sendo a maior e mais poderosa agência de ensino da Palavra de Deus
de que a Igreja dispõe.
Tornou-se a Escola Dominical tão
importante, que já não podemos conceber uma igreja sem ela. Haja vista que, no
dia universalmente consagrado à adoração cristã, nossa primeira atividade é
justamente ir a esse prestimoso educandário da Palavra de Deus. É aqui onde
aprendemos os rudimentos da fé e o valor de uma vida inteiramente consagrada ao
serviço do Mestre.
A. S. London afirmou, certa vez, mui
acertadamente: “Extinga a Escola Bíblica Dominical, e dentro de 15 anos a sua
igreja terá apenas a metade dos seus membros”. Quem haverá de negar a gravidade
de London? As igrejas que ousaram prescindir da Escola Dominical jazem exangues
e prestes a morrer.
O plano de Raikes exigia um profundo
sentimento de caridade cristã. Conseguiu que algumas senhoras crentes o
ajudassem, fazendo visitas aos bairros pobres da cidade, a fim de convencerem
os pais a enviarem seus filhos à escola.
De 1780 a 1783, sete Escolas já tinham
sido fundadas somente em Gloucester, tendo cada uma 30 alunos em média. Em 3 de
novembro de 1783, Robert Raikes, triunfalmente, publicou em seu jornal a transformação ocorrida
na vida das crianças.
O historiador John Richard Green afirmou:
“As Escolas Dominicais fundadas pelo Sr. Raikes, no final do século XVIII,
originaram o estabelecimento da educação pública popular”.
O efeito da Escola Dominical foi tão
poderoso, que 12 anos após sua fundação, não havia um só criminoso na sala dos
réus para julgamento nos tribunais de Gloucester, quando antes a média era de
50 a 100 em cada julgamento!
Em muito pouco tempo, o movimento se
espalhou e várias igrejas ao redor do Mundo organizaram suas Escolas
Dominicais. Nas E.B.D. mais antigas, segundo se tem notícia, o ensino
limitava-se à leitura de passagens bíblicas estudadas simultaneamente por crianças
e adultos. Mais à frente, nasceu o desejo de que houvesse um sistema de lições graduadas:
seriam adaptadas ao desenvolvimento da mente infantil e viria estabelecer
conveniente e necessária promoção de alunos de grau em grau entre os diferentes
departamentos da Escola Dominical.
Em resposta a esse apelo, o Comitê das
Lições Internacionais, unanimemente, encaminhou o assunto à Convenção em
Louisville, realizada em junho de 1908. Foi criado um Subcomitê, que preparou
lições dirigidas aos principiantes, ao departamento primário elementar e ao
primário superior. Em anexo, enviaram uma lista dos assuntos que
corresponderiam aos anos seguintes desses mesmos departamentos. Anunciou-se
também a preparação do programa geral de lições para todos os departamentos em
que a Associação Internacional dividiu a Escola Dominical: Principiantes (4 e 5
anos), Primário Elementar (6 a 8 anos), Primário Superior (9 a 12 anos),
Intermediário (13 a 16 anos), Superior (17 a 20 anos) e Adultos (20 anos em
diante).
Os missionários escoceses Robert e
Sara Kalley são considerados os fundadores da Escola Dominical no Brasil. Em 19
de agosto de 1855, na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, eles
dirigiram a primeira Escola Dominical em terras brasileiras. Sua audiência não
era grande; apenas cinco crianças assistiram àquela aula. Mas foi suficiente
para que seu trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados de
nosso país. Essa mesma Escola Dominical deu origem à Igreja Congregacional no
Brasil.
Houve, sim, reuniões de Escola
Dominical antes de 1855, no Rio de Janeiro, porém, em caráter interno e no
idioma inglês, entre os membros da comunidade americana. Hoje, no local onde
funcionou a primeira Escola Dominical do Brasil, acha-se instalado um colégio.
Mas ainda é possível ver o memorial que registra este tão singular momento do
ensino da Palavra de Deus em nossa terra.
Em 2019 por unanimidade numa sessão na
Assembleia Legislativa de São Luís, foi aprovado um Projeto de Lei que tornou a
EBD patrimônio imaterial do Maranhão.
Os autores da Lei disseram que, ao
declarar a Escola Bíblica Dominical como seu Patrimônio Imaterial, o Estado do
Maranhão, por meio da Assembleia Legislativa, reconhecerá a relevância desse
renomado instituto de educação cristã, bem como prestigiando sua importante
contribuição para a formação intelectual, moral e espiritual dos cidadãos
maranhenses.
Uau! Quanta relevância tem a EBD aqui, ali e para além mar.
Se sua igreja não tem EBD, meu conselho é que ao redor da sua mesa de casa faça-se uma.
Flavyandressa Lobato Sá
Eu amo a EBD.
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