Talvez nem todos conheçam a menina mimada, com uma boneca debaixo do braço e cabelos partidos amarrados ao meio da série Chaves. Talvez agora com essa descrição um pouco mais detalhada, nossa memória suba ao segundo piso da vila o cortiço para encontrá-la. Sim, é aquela que dizia: "conta tudo para sua mãe Chaves". Aos que nunca ouviram falar por serem de uma geração que não conhecem os clássicos; eu realmente lamento.
Mas, o que essa menina tem a ver com os autistas? Exatamente nada.
E o que os autistas tem a ver com essa menina? Absolutamente nada também.
Na verdade, é o contrário disso.
Essa geração mimada não conseguirá conviver com os neuroatípicos bem, partindo do pressuposto de que pessoas com esse tipo de transtorno não tem filtro e seus sentimentos raquíticos, infantis e narcisistas muitas vezes serão feridos sem intenção por eles, sinto-me demasiadamente preocupada.
Mas, antes de expressar minhas preocupações. Preciso trazer fatos atormentadores, que recaem sobre nossas políticas públicas educacionais, especialmente por se tratar de uma política pública permanente de direitos. As crianças com o Transtorno do Espectro Autista estão sendo preteridas por nossas escolas. E como sei disso? Recebi ligações de mais de 10(dez), sim mais de10(dez) mães sem exagero entre os meses de janeiro e fevereiro de 2023, pedindo vagas na escola da qual coordeno para seus filhos e a pergunta era a seguinte: "professora me passaram seu contato, disseram que a senhora recebe crianças autistas, é verdade? A senhora têm vagas para autistas na sua escola? Eu respirava e respondia: "mãe, mas ele não é criança? e elas diziam: "sim", então, eu respondia: "segundo o ECA elas têm direito de estudar". Uma delas me disse o seguinte chorando: "professora é porque já fui em algumas escolas e eles não querem aceitar meu filho por ser autista". Eu disse: "mãezinha, isso não existe.
Sobre essas recusas, é sempre bom lembrar que o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, deixa claro em seu artigo 53, inclusive o direito ao estudo em uma escola próxima a sua residência.
Então, qual motivo dessa recusa?
A formação de professores, a estrutura não adapta das escolas, a falta de salas de recurso, a escassez de profissionais multidisciplinares, a falta de diagnóstico, investigação e acompanhamento por parte de todos os envolvidos, a superlotação nos atendimentos que a criança precisa, e que só pode acessar 1 vez a cada 3 meses, e assim por diante.
Mas, e a geração Popis?
É aquela que mesmo existindo, aparece de vez em quando para destilar seu mimado veneno de amor, quando na verdade não consegue nem sair para conviver com ninguém a não ser ela mesma. Aquela geração chata que têm ouvidos sensíveis a qualquer verdade, por não ser a sua. E isso é um perigo.
Recentemente, assisti um vídeo de um autista adolescente numa cidade brasileira, que foi postado por seus covardes colegas que assistiam e filmavam, enquanto outros delinquentes o espancavam. E sabe o motivo? O menino falou algo para um adolescente que ele não gostou e eles o esperaram para cometer tal atrocidade.
Você pode dizer: mas, eles não sabiam que o autista fala o que pensa.
Eu respondo com a seguinte afirmação. Total falta de interesse em conhecer seu próximo, total falta de interesse dos pais e da escola em conversar sobre essa realidade. Enquanto, querem se meter precocemente na sexualidade de crianças que não sabem nem reconhecer a mão esquerda da direita, deveria estar promovendo, círculos educativos, práticas restaurativas e outras coisas muito mais relevantes e de papel da escola. Assim, a família também se responsabiliza em fazer a parte dela.
Quem dera ficasse somente no "conta tudo para sua mãe", mas não, a violência e maldade entram em cena, numa sociedade acostumada com a impunidade.
E então, como proteger esses que apresentam alterações no funcionamento cognitivo, comportamental, neurológico e neuro-anatômico?
Pedindo Àquele que os criou que os proteja e os guarde de todo o homem mal e suas intenções.
Ao meu sobrinho Elias que ama azul.
NEle por Ele e para Ele são todas as coisas!
Flavyandressa Lobato Sá
@flavynhasa
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